“Assassinou a nossa princesa durante o sono”, mãe de Lara quebra silêncio pela primeira vez

Sandra Cristina, a mulher que perdeu a filha e a mãe depois de terem sido assassinadas no Seixal há um mês, quebra o silêncio e recorda os momentos de sofrimento que passou.

Passou-se um mês desde que Pedro Henriques tirou a vida à sogra e à sua filha, de dois anos, na Amora, no Seixal, acabando por pôr termo à vida em Castanheira de Pera, localidade onde era natural.

Numa longa publicação feita nas redes sociais, Sandra Cristina afirma que ainda não tinha conseguido escrever por não conseguir encontrar palavras para descrever a “tamanha beleza como ser humano” da mãe e a sua “grandiosidade e generosidade”.

A mulher relembra as horas de pânico, a raiva, o sofrimento, a angústia que a sua mãe terá sentido “até ao último suspiro”. “Hoje tive um arrepio pelo corpo todo. Olhei para o relógio e eram 8h10m. Foi a essa hora que tudo aconteceu mamusca?! Fui à janela e o céu cinzento começou a descobrir o sol”, escreve.

O meu cérebro tenta diariamente visualizar como tudo aconteceu. Não tenho a menor dúvida que aquele cobarde te disse que estava ali com a princesa para que lhe abrisses a porta, pois não era suposto deixá-lo entrar em casa.

O teu grito, o único grito que os vizinhos dizem ter ouvido…sempre achei que fosse da dor que sentiste enquanto a lâmina pontiaguda da faca te perfurava. Não, o teu grito nao foi de dor, não lhe ias dar esse prazer… O teu grito foi do susto, da fração de segundos de intervalo entre aperceberes-te que ele estava armado, até dar o primeiro inevitável golpe por te apanhar desprevenida.

Cobarde… psicopata… lobo em pele de cordeiro… como muitos que andam por aí, alguns até bem perto de nós.

Sei que não te deste por vencida. Tentaste lutar uma luta desigual. Tentaste-te defender e evitas-te que fossem mais profundos certos golpes que tinhas no rosto. Mas o que mais me dói é saber que sofreste… e muito… É saber que aquele monstro depois de te ver indefesa, caída no chão, num lago de sangue, ainda fez questão de aguardar uns bons minutos só pelo prazer de te ver sofrer… ainda deve ter esboçado um sorriso, proferido algumas palavras atormentantes e depois sim, deu o golpe final!

Deve-te ter dito que a nossa princesa estava sem vida. Ele sabia que davas a vida por ela, mas quis que soubesses que a tua luta, a nossa luta pelo bem estar da menina tinha sido em vão. Mais do que isso, quis-nos culpar pelo falecimento dela.

Mamusca até sair o resultado da autópsia irei continuar com a ideia que o monstro assassinou a nossa princesa de madrugada, durante o seu sono, provavelmente dopada com algum medicamento, para que não abrisse os olhos e não tivesse consciência de quem lhe estava a fazer mal. Já a trazia sem vida quando aqui veio. Assim, se por algum motivo os seus planos falhassem, o principal estava feito.

Mamusca vou dignificar o teu falecimento, o vosso falecimento. Leve o tempo que levar…

Sabes, hoje as duas pessoas mais importantes da minha vida estiveram em simultâneo comigo no cemitério. Não sei porque razão hoje, só hoje, faltaram-me as palavras. Nao sabia o que te dizer, houve muitos momentos de silêncio , lágrimas em silêncio … com voz no coração. E nesse silêncio o sol que tinha ficado encoberto pelas nuvens regressou.

Escrevi, escrevi, estão aqui tantas palavras mas, na realidade, ainda não foi desta que te escrevi. Tu sabes… Amo-te… Amo-vos.”

Numa outra publicação, Sandra Cristina informa que se irá realizar uma missa em homenagem à mãe e à filha esta sexta-feira, dia 8, pelas 19:00 na igreja Beato Scalabrini, situada na Rua do Minho, Cruz de Pau.



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