Coimbra: Bispo lavou os pés a 12 bombeiros e manifestou o «maior apreço» a todos os que estiveram «próximos dos aflitos na hora da tragédia»

Coimbra, 29 mar 2018 (Ecclesia) – O bispo de Coimbra manifestou o “maior apreço” aos “puseram a sua vida em risco” para lutar contra os chamas que devastaram a zona centro em 2017 e inclinou-se diante de 12 bombeiros para lhes lavar os pés.

“Fostes verdadeiro rosto e autênticas mãos de Jesus que lavou os pés ao mais pequenino dos seus irmãos”, disse D. Virgílio Antunes na homilia da Missa da Ceia do Senhor, marcada pelo rito do lava-pés, evocando o gesto feito por Jesus aos 12 apóstolos, na Última Ceia.

O bispo de Coimbra convidou 12 bombeiros das corporações da região e lavou-lhes os pés, agradecendo a todos os que estiveram “mais próximos dos aflitos na hora da tragédia”.

“Nesta noite da vitória do amor de Deus por nós, bem expressa na oferta de Jesus ao Pai, queremos manifestar o nossos maior apreço aos que estiveram mais próximos dos aflitos na hora da tragédia, aos que ofereceram os seu trabalho, aos que puseram a sua vida em risco para salvar a vida dos irmãos”, disse D. Virgílio Antunes.

“Em nome do Senhor e desta sua Igreja diocesana de Coimbra, quero hoje inclinar-me diante de vós e lavar os vossos pés porque também a vossa fragilidade precisa de fortaleza, a vossa memória sofrida precisa de consolação e a vossa determinação precisa de sentir que não estais sós. Nos estamos convosco. Deus está convosco”, sublinhou.

“Peço-vos a humildade de reconhecer que, pelas mãos deste seu servo, Jesus lava os vossos pés e imploro-vos que continueis a tomar o Seu exemplo como medida do vosso serviço à comunidade e a cada um dos seus membros mais pequeninos”, acrescentou D. Virgílio Antunes.

O bispo de Coimbra recordou a “tragédia sem precedentes” causada pelos incêndios dos meses de junho e outubro de 2017, o “luto e a dor” que bateu à porta de muitos e também a “solidariedade, a justiça e a caridade”.

“No meio da tragédia sem precedentes que assolou as nossas terras e as nossas gentes, os incêndios que devastaram as florestas, bens, casas e famílias, emergiu também de forma eloquente o que de melhor caracteriza as pessoas que somos. Vimos o luto e a dor bater à porta de muitos, mas vimos também a solidariedade, a justiça e a caridade brotarem dos corações e elevarem-se no meios dos escombros materiais e humanos”, lembrou o bispo de Coimbra.

D. Virgílio Antunes disse que, no meio da tragédia, a Diocese de Coimbra manifestou “a caridade para com os que choram”, ajudou “a encontrar alguma paz e consolação” e procurou “ser uma presença amiga para que se voltassem a vislumbrar os caminhos da felicidade”.

“Consideramos que tudo que fizemos e faremos é muito pouco diante das feridas abertas no corpo e na alma dos que se confrontam com o mais profundo sentimento de perda”, acrescentou.

Agradecendo aos bombeiros, o bispo de Coimbra referiu-se também a “muitos outros homens e mulheres” que “ofereceram o seu corpo e o seu sangue para salvar alguns”, realizando o “ato humano mais excelente”, que consiste “em dar a vida”.

“Obrigado, caríssimos irmãos bombeiros, porque porventura sem o saberdes, cumpristes o mandato do Senhor: pusestes a toalha à cintura, ajoelhaste diante dos irmãos , lavastes os seus pés e enxugastes as suas lágrimas de dor”, concluiu.

HM/PR

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