Estudante portuguesa em Londres derrota advogados em tribunal que queriam roubar idosa madeirense analfabeta

Estudante de Direito salva idosa analfabeta de ser roubada por uma firma de advogados ingleses.

Uma estudante de Direito na Universidade de Londres ajudou uma idosa madeirense com 69 anos a resgatar cerca de 200 mil euros de que uma sociedade de advogados se tinha apoderado, declarando que a mulher estava incapaz de administrá-los.

Ângela Maria Sousa Baptista, nome completo da lesada, vive há mais de 40 anos sozinha em Inglaterra, sem conseguir ler nem escrever. Em 2006 sofreu um atropelamento que lhe incapacitou mentalmente e fisicamente. Após sete anos, foi indemnizada, no entanto uma sociedade de advogados apoderou-se do caso para gerir a sua indemnização e todos os seus bens, recorrendo à incapacidade mental da portuguesa.

Há vários anos que a idosa tentava reverter a situação, no entanto sem sucesso, até que conheceu Alexandra da Silva, natural de Cardielos, freguesia de Viana do Castelo.

Após ter conhecimento da situação, Alexandra ofereceu-se para ajudá-la, apesar de ainda estar a concluir o curso. Tornou-se a sua representante na qualidade de “litigation friend” (amigo de litígio), uma figura prevista na lei inglesa e que não existe em Portugal.

A estudante avançou com uma petição para que o tribunal investigasse o caso e apresentou provas irrefutáveis de que a lesada se encontrava com condições físicas e psicológicas adequadas para receber o dinheiro a que tinha direito, e pediu que fosse ordenada à sociedade de advogados a restrição dos seus pertences.

Ao The Independent,a jovem contou que não foi uma disputa nada fácil, “Deram muita luta. Estamos a falar de uma quantia milionária e os advogados alegaram sempre que a senhora não estava capaz. Foi uma grande batalha, mas há cerca de uma semana chegou-nos a ordem do tribunal, em que o juiz corta qualquer tipo de vínculo entre eles e a dona Ângela e determina que a firma tem até 3 de Outubro de 2017 para lhe devolver todo o dinheiro e apresentar contas. Ela está radiante”

Fonte jurídica, citada pelo Jornal de Notícias, revelou que um acontecimento destes seria “praticamente impossível em Portugal”. Em primeiro lugar por não existir a figura do “litigation friend” e em segundo porque os sistemas jurídicos são “completamente diferentes”.

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