Homem esfaqueia 24 vezes a mulher e é-lhe reduzida a pena por vítima ter amante

A Itália volta a estar no centro da polémica na sequência de mais um caso de violência machista. A juíza Silvia Capanini diminui a pena de um homem justificando que a mulher mantinha um relacionamento extraconjugal.

O caso remonta ao dia 8 de abril de 2018, quando o equatoriano Javier Napoléon Gamboa, de 52 anos, apunhalou a companheira, Angela Jenny Coello Reyes. Numa crise de ciúmes, ao descobrir que a mulher tinha um amante, assassinou-a. Depois de ter matado a mulher, o homem fugiu e acabou detido três dias depois.

O Ministério Público pediu 30 anos de prisão para o homem, mas, de acordo com o jornal “Il Corriere della Sera”, os juízes de Génova condenaram o homem a 16 anos de prisão.

O mesmo jornal explica que a pena foi reduzida para metade porque, segundo justificaram os juízes na sentença de dezembro, o homem agiu guiado “por um misto de raiva e desespero e com uma profunda deceção e ressentimento”, ao saber que a mulher tinha um amante.

A equipa liderada pela juíza Silvia Capanini contesta a alegação de que o homem agiu por ciúmes. “A reação mão foi motivada pelos ciúmes, mas antes como uma reação aos comportamentos da mulher, de todo incoerentes e contraditórios”, explicou a juíza, de acordo com o jornal “El Español”.

O caso está a gerar polémica em Itália e motivou mesmo a intervenção do Primeiro-ministro, Giuseppe Conte. Na sua página oficial no Facebook, disse que “nenhum sentimento, mesmo que muito intenso, pode justificar o femícidio”.

A polémica surge poucos dias depois de mais um caso controverso na justiça italiana. Dois homems que tinham sido condenados, em 2016, pela violação de uma mulher viram a pena reduzida com a justificação de que a jovem era “feia e masculina”.



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