Moita Flores arrasa Rosa Grilo numa nova resposta à sua carta

Após a primeira resposta de Moita Flores à Rosa Grilo, esta não terá ficado contente e voltou a responder ao antigo inspetor da Polícia Judiciária, Francisco Moita Flores.

Na parte final da sua carta, Rosa Grilo escreveu: “Lamento tê-lo incomodado por ter falado em algo que lhe é tão caro, a Polícia Judiciária, mas garanto-lhe que não receberá mais nenhuma missiva minha. Apenas receberá a participação por difamação, denúncia caluniosa agravada por ser divulgada em meios de comunicação social”.

A isto, Francisco Moita Flores deixou uma resposta em que arrasou por completo a viúva, sem “paninhos quentes”, nem meias palavras.

“Rosa Grilo,

Minha Senhora

Há vários anos que escrevo para a TVGuia e, aqui, recebo correspondência à qual respondo conforme a economia do espaço que me é destinado. São raros os leitores a quem me dirijo duas vezes, tal é a imensidão daqueles que não consigo atender. Escrevo-lhe, pela última vez, porque me ameaçou. Para quem deixou boa parte da sua vida na Polícia Judiciária, as ameaças não se temem. Enfrentam-se.

Por outro lado, como bem diz, não nos conhecemos. Se me conhecesse, saberia que a PJ não foi a minha única escola. Saberia, por trinta anos de comentário escrito e falado, que recuso uma Justiça que não valorize os direitos, liberdades e garantias de todos os indivíduos, por mais horríveis que sejam os seus crimes, e que só creio em inocentes e culpados depois de um julgamento justo.

Até lá, todos são presumíveis inocentes. Presumíveis, digo bem. Uma presunção que, no seu caso, está ferida por decisão de um juiz que a prendeu por fortes indícios de ter assassinado o seu marido. Não é a PJ que a mantém na situação em que está. É um tribunal. O juiz não engoliu a sua historieta sobre assassinos angolanos. E todos nós, ficámos indignados por ter mentido sobre o desaparecimento do seu marido.

Confesso que também me convenceu. Amigos, bombeiros, comunicação social envolvidos na descoberta do paradeiro do infeliz que a senhora sabia morto e escondido. Tão morto e tão escondido que, alega medo, para não ter dito a verdade às autoridades. Gozou com todos aqueles que quiseram ser solidários. Armou o grande espectáculo com frieza, fazendo de nós tansos, preocupados com o paradeiro do seu inditoso marido. Afinal, gente bárbara já o tinha assassinado. Pelo menos com o seu conhecimento.

Espectáculo que continua com a distribuição de cartas feito para todos os sítios públicos que lhe vêm à cabeça. Confunde a vida real com as suas construções fantásticas e, caso tivesse algum pudor, esse cuidado que diz ter pelo seu filho obrigá-la-ia à discrição. Quem já viveu muito sabe que os nossos filhos, e no meu caso, os nossos netos, são bens tão preciosos que só alguém sem escrúpulos os envolve em crimes com tal brutalidade. Não sei se é culpada ou inocente. Só o tribunal que decidiu a sua prisão tem conhecimento suficiente para a manter detida.

Se o julgamento decretar a sua inocência, terá todas as razões para agir contra a Justiça. Se a considerar culpada, por mais cartas que escreva, os vinte cinco anos de cadeia que a esperam, farão de si uma dupla criminosa. Porque matou e, porque nesse acto hediondo, arrastou para a orfandade uma criança inocente que, como diria a poetisa Rosalia de Castro, nem sequer foi ouvida no acto de que nasceu.

Os meu cumprimentos

Francisco Moita Flores”

 

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