O desabafo sincero de um português emigrado

Tu, que nunca saíste de Portugal, consegues imaginar o que se sente ao ver esta placa, uma simples placa à borda da estrada, sem falar das que encontramos (a dar os km que faltam) a meio de Espanha.

Eu e os milhões que vamos de Espanha, França, Itália, Suíça, Inglaterra, Luxemburgo, Bélgica, Alemanha, Áustria e Holanda, sabemos o que sentimos, e tu, sim tu que nos julgas, que nos calunias, que pensas ser português e nós estrangeiros, sim tu aí, sabes o que é sentir a Pátria?

Se não sabes, pensa e tenta saber, porque quando dizes, carro alugado, armados em ricos, é só mania…

Vem, vem cá fora, e tenta aguentar 11 meses sem estar com os amigos, sem moinas baratas, sem jantares de família, sem aquela facilidade das coisas, vem ouvir insultos racistas, ser tratado como um animal. Vem ó esperto, sim tu és esperto, a tua vida não faz sentido mas és tu o esperto, nem sabes o que é lutar pela vida, reclamas por trabalhar 45 h por semana, vem que essas 45 h só as vez no Inverno, e quando tiveres sorte, tu aí que passas o tempo a depositar o teu dinheiro na tasca ou no Bar do canto, vem e tenta fazer o mesmo por cá, sim é a grande diferença, nós, na maioria, o dinheiro da cerveja, café e bagaço, depositamos nas contas em Portugal, para quando aí chegar ter-mos uns trocos para as nossas férias, aquelas que tu chamas de rico e dizes que andamos inchados.

Agora digo-te eu, quando vamos de férias, fazemos loucuras, descansamos, e gastamos, sim, é o fruto de 1 ano de trabalho sem desfrutar da vida.

O que me levou a escrever este texto, foi única e simplesmente de estar farto de ser estrangeiro em Portugal e fora dele, porque o Estado e as Finanças tratam-nos da mesma maneira que a ti.

Texto de António Melo

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