Outono começa com temperaturas a chegar aos 40, mas há muita chuva já em outubro

É na noite de domingo que se dá o equinócio de outono, o que marca o início desta estação no hemisfério norte. E prolonga-se até às 22:23 do dia 21 de dezembro, dando lugar ao inverno. Só que as condições extremas, sejam as altas temperaturas do verão ou as tempestades de inverno, também acontecerão nos próximos meses.

Este domingo esperam-se máximas muito próximas dos 40 graus, nos distritos de Santarém e Évora (39), e ainda Beja (38). E as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera apontam para um ligeira subida para segunda-feira, com as máximas a chegarem mesmo aos 40 no distrito de Santarém e a ficarem muito perto incluindo em Setúbal.

É a conclusão geral quando se fala com meteorologistas e especialistas em condições climáticas. Alegam que neste campo o grau de imprevisibilidade é muito grande, apesar de toda a investigação que tem sido feita. Faltam informações importantes sobre a totalidade do planeta.

O que é garantido é que as temperaturas têm vindo a subir gradualmente e cada vez mais há lugar para condições climáticas extremas.

Mais 1,4 graus celsius em Portugal

“A temperatura em Portugal, e na Península Ibérica em geral, tem aumentado 0,2 graus celsius por década desde 1960, mais do que a média global. O que as pessoas podem esperar é a previsão de temperaturas altas ser mais frequente. Além disso, há fenómenos meteorológicos extremos, como chover muito em pouco tempo ou seca. Não é o número de dias de chuva ou de temperaturas altas mas a intensidade”, explica o geofísico Filipe Duarte Santos.

Com certezas, praticamente a 100%, os especialistas defendem que só uma previsão a quatro dias, quanto muito a dez, mas aumenta o grau de imprevisibilidade.

O outono chega na madrugada de domingo, dia em quem começa uma onda de calor no país, diz Maria João Frada, meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). “A nova estação começa com temperaturas muito quentes para a época do ano. Há uma subida gradual das temperaturas a partir deste sábado e vamos chegar a segunda-feira com máximas superiores a 30 graus na generalidade do território, Nas regiões do Vale do Tejo, Interior Centro e Sul haverá temperaturas entre os 35 e 39 graus”. As mínimas andarão pelos 20 graus.

Alerta amarelo na maioria dos distritos

Soaram já avisos de alerta amarelo em Santarém. Lisboa, Setúbal. Évora e Beja e que, a partir de domingo, se estendem a Portalegre, Castelo Branco, Leiria e Coimbra, juntando-se-lhes, na segunda-feira, Porto e Braga.

A técnica prefere não avançar com mais previsões, embora o IPMA, as tenha até ao final de setembro, mantendo-se as temperaturas acima dos 30 graus nos distritos assinalados.

O meteorologista Costa Alves percebe a precaução, mas acha que os nove dias é o período de tempo em que as certezas são muitas, embora ressalvando que tudo pode mudar de um momento para o outro. “Até dia 30 as previsões estão publicadas, a partir daí o melhor é não arriscar. Estamos numa zona de alterações climáticas e os tempos são muito incertos”.

O que, para Costa Alves é seguro, é que “vamos entrar com um outono muito quente, com temperaturas máximas a rondar os 35 graus em alguns distritos. Vamos atingir o equinócio sem as primeiras chuvas como refere o provérbio “águas verdadeiras, por S. Mateus as primeiras“. E São Mateus foi sexta-feira. “A probabilidade maior é essa, mas há anos em há anos em que não aconteceu. O ano passado tivemos um outubro muito quente”.

“Outubro quente, traz o diabo no ventre”

A ser assim, diz o provérbio: ” outubro quente, traz o diabo no ventre“. Mas, segundo o meteorologista Daniel Zaferino, um dos sócios da BestWeather, “no final da primeira quinzena de outubro há de dar-se uma viragem e, em princípio, será um outubro mais chuvoso do que o normal”.

A empresa portuguesa faz as previsões com base na Copernicus Seasonal Forecast, aconselhando que as mesmas sejam revistas a cada duas a quatro semanas. Preveem: ” Esperamos que os próximos três meses sejam caracterizados pela evolução de uma circulação bastante bloqueada sobre o Atlântico, com possíveis oscilações de grande amplitude que poderão trazer alguns episódios extremos sobre Portugal Continental”.

Em outubro, novembro e dezembro serão caracterizados “por precipitações acima da média em especial no Norte e Centro e ligeiramente acima da média no Sul”. Há tendência para haver mais chuva em outubro no Sul e em novembro e dezembro no Norte e Centro. Ao mesmo tempo, esperam “temperaturas acima da média em outubro e dentro ou ligeiramente abaixo da média em novembro e dezembro”.

As alterações climáticas têm levado a alterações de medidas em várias áreas, nomeadamente no combate aos incêndios, O ano passado, a segunda onda de incêndios mais mortais teve início precisamente a 15 de outubro.

Risco de incêndio

Esta sexta-feira, a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) alertou para o risco de incêndio “muito elevado e máximo” na generalidade dos municípios das regiões do interior Norte e Centro, Alentejo e Algarve para os próximos dias. E chama a atenção para as proibições, nomeadamente a realização de queimadas, de fogueiras para recreio ou lazer. Além de se dever ter cuidados com máquinas e equipamentos agrícolas

Este ano foi implementado o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais que é permanente. Dia 1 de outubro começa o ” nível III de empenhamento” que, em relação a 2017, envolve mais 12 meios aéreos, 2834 operacionais e 456 viaturas, referem do gabinete do ministro da Administração Interna.

Também a nível da saúde, os alertas são contínuos, dependendo do tempo e não das estações do ano. O Plano de Contingência Sazonal relativo ao verão termina a 30 de setembro, mas pode ser mudado se o clima o justificar, referiu ao DN a assessoria da Direção.Geral de Saúde. E esta sexta-feira lançaram um novo alerta tendo em vista a subida das temperaturas. É que, se os dias estão mais pequenos, 40 graus significam o mesmo em todas as estações.

Logo, deve-se evitar a exposição direta ao sol, principalmente entre as 11 e as 17 horas; utilizar protetor solar com fator igual ou superior a 30, procurar ambientes frescos e arejados ou climatizados durante as horas de maior calor, aumentar a ingestão de água ou de sumos de fruta natural sem adição de açúcar e evitar o consumo de bebidas alcoólicas, entre outros cuidados.

Fonte:
DN

Comentários

You may also like...