Pais de Zé do Pipo falam pela primeira vez e revelam todos os pormenores sobre o desaparecimento do filho

O cantor Zé do Pipo desapareceu a 5 de novembro do ano passado, depois de sair de casa dizendo que ia ao banco e à farmácia comprar medicamentos.

A sua viatura foi encontrada em Peniche, perto do Portinho da Areia. A família já não tem muitas esperanças de encontrar o reencontrar Nuno Baptista.

Numa entrevista ao Manuel Luís Goucha, os pais revelam que já não têm nenhuma esperança de encontrar o filho. “derivado à doença que ele tinha, à bipolaridade muito avançada, derivado a certas coisas que ele recorreu para ver as marés, chegou a dizer ao psiquiatra que faria o que nós temos no pensamento”, revelou o pai do artista.

“No dia 1 de novembro, no dia de Todos os Santos, ele disse à mulher que ia dar uma volta de bicicleta e deslocou-se da terra dele, do Vau, até Peniche, ao sítio do Portinho da Areia que é onde ele tinha o carro. Nós nesse dia contactámos com ele e perguntamos, então Nuno, estás melhor? Ele atendeu o telefone, coisa que não fazia há muito tempo. Ele via a mãe ligar-lhe o telefone e não atendia, ficava estático a olhar”

Quando questionado sobre como os pais lidaram com a doença dele, o pai respondeu que “Fomos reagindo não deixando ele sair de casa, não o deixando conduzir, e dentro do possível fomos resguardando-o. Só que ele uma semana antes de desaparecer, foi um grande ator… Deu em como estava a melhorar, que estava melhor. É a partir daí que começamos a ver o que ele fez.”

Os pais revelam ainda que ‘Zé do Pipo’ sofria de bipolaridade e depressão. Em 2016 teve até que interromper a trabalho por 3 a 4 meses devido à depressão.

Em 2017, Nuno Baptista deixou os seus medicamentos por auto-recriação, porque lhe fazia sentir melhor, sem fazer desmame.

No entanto, as coisas pioraram, e no verão de 2018 regressou à medicação. “O psiquiatra quis dar uma medicação que lhe permitisse fazer os espectáculos, que tinha muitos para fazer até dezembro, praticamente. Eram quase todos os dias” contam os pais.

Segundo os pais, o facto do psiquiatra ter dito que era incompatível com a medicação terá sido o que ditou o fim. “Tudo leva a crer que sim. Foi nessa altura que ele caiu mesmo na solidão. Era um boneco! (…) A vida deixou de fazer sentido para ele.”

“No dia em que a mulher dele me ligou a dizer que o Nuno estava desaparecido… O  Nuno saiu de casa às 14:30 da tarde de dia 5 de novembro a dizer que ia ao banco e à farmácia… Foi ao banco mas não foi à farmácia. Disse que ia num instante ao banco(…) e a partir dai meteu-se a noite e a minha nora telefonou para a polícia de Óbidos e ligou-me também a dizer que ele estava desaparecido. Saí da fábrica e corri toda a costa, já temendo o pior. Estive no sítio onde nós pensamos que foi o caso, nessa praia do Portinho da Areia, a essa hora não estava lá o carro, tinha o telemóvel desligado…”

“Foi para o sítio onde o ensinei a nadar” contou a mãe em lágrimas, “foi onde ele quis ir, para onde eu o ensinei a nadar.” .

Os pais de Zé do Pipo acreditam apenas no pior desfecho, que o filho terá decidido, devido à sua doença, acabar com a sua própria vida.

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