Rosa Grilo escreve carta de revolta, da prisão… Moita Flores dá a resposta perfeita

Rosa Grilo, principal suspeita de ter assassinado o seu marido triatleta, escreveu uma carta a partir da prisão de Tires, onde se mostra revoltada da maneira como os agentes da PJ entraram na sua casa em frente do seu filho.

Moita Flores deixou-lhe uma resposta que vale a pena ler.

Carta de Rosa Grilo para Moita Flores.

“Tires, 12 de Outubro de 2018

Caro Sr., Moita Flores

Tomo a liberdade de contactar consigo por este meio, uma vez que me encontro detida em prisão preventiva e não tenho acesso ao meu e-mail, forma pela qual recebe as perguntas dos leitores.

Confesso que desconhecia a sua crónica na TV Guia assim como na CMTV. Por ironia do destino tomei conhecimento destas rubricas por conta própria.

Felizmente nunca tive oportunidade de manter contacto com a Polícia Judiciária.
Sou arguida no processo de homicídio do meu marido, Luís Miguel Grilo e independentemente das considerações que possa ter em relação a este assunto ou sobre mim, gostava de ver esclarecidos, também para conhecimento do público em geral, os métodos utilizados pela Polícia Judiciária.

Passo a descrever dois exemplos simples, que implicam o meu filho com 12 anos, que ocorreram, se não por falta de bom senso, talvez por falta de humanidade:

No dia 26 de Setembro, pelas 7h00 a Brigada de Homicídios foi a minha casa com o intuito de me deter e recolher provas do possível envolvimento na morte do meu marido. Não ofereci qualquer tipo de resistência , como em tantas outras vezes que lá foram. Abri de imediato, demorando apenas o tempo de vestir um roupão, pois ainda me encontrava no banho, assim que entrou começaram a falar muito alto, a dizer que eu ia ser detida e usando até alguns insultos. Começaram de imediato a revirar a casa sem qualquer preocupação com o meu filho.

O meu filho estava em casa a preparar-se para ir para a escola. Tem 12 anos. A meu ver não existe nada que prevaleça ao bom senso do tratamento que se deve ter com uma criança desta idade, nem a “pressa” de me deter deveria ter sido mais importante. Bastariam 45 minutos para que o menino estivesse na escola e tivesse sido poupado ao que se passou naquela manhã. O meu filho podia ter sido poupado aos insultos que ouviu dirigidos a mim, podia não ter visto todos os inspectores a mexer nas nossas coisas, nas coisas dele,

No final o meu filho viu-me a ser detida e eu tive que lhe dizer o que se estava a passar.

O senhor saberá melhor do que quais os procedimentos normais nas detenções mas não me parece que seja prática corrente deterem os pais em frente aos filhos. Mais grave ainda foi o facto de terem interrogado o meu filho 2 horas sem que eu tivesse autorizado ou presente. Quando interrogaram o menino eu ainda não estava oficialmente detida, supostamente estaria em diligências.

Posto isto, resumidamente a minha questão é como procedem à detenção de suspeitos quando há menores envolvidos e pelo que sei tem direito a não assistir a determinadas situações.

Gostaria de voltar a contactá-lo com outras situações que se passaram por exemplo nos interrogatórios, pelo que gostaria de receber alguma resposta ao exposto.

Grata pela atenção, melhores cumprimentos,

Rosa Grilo”

A carta de resposta de Moita Flores

“CARTA A ROSA GRILO

Minha Senhora: Recebi, através da TVGuia, a longa carta que me endereçou, expondo algumas dúvidas sobre o comportamento da Brigada de Homicídios que a prendeu, indiciada de autoria do assassinato do seu marido, no que respeita ao momento da detenção e à relação que os Inspectores estabeleceram com o seu filho menor. Peço desculpa por não publicar a missiva pois não teria espaço para responder.

Quando se prende alguém que cometeu, ou está indiciado por ter cometido um crime grave, e está presente uma criança, a autoridade que realiza tal acção tem duas preocupações. A primeira é cumprir o mandado de captura. A segunda preocupação, que decorre do acto policial, é encontrar alguém que tome conta do menor naquele momento. Vulgarmente recorre-se a um familiar até o Tribunal decidir o melhor destino para a criança.

Dito isto, é natural, e não existe qualquer ilegalidade, nas conversas que houve entre a senhora com os Inspectores, nem destes com o menor. Não estão a tomar declarações formais, não estão a interrogar formalmente, apenas se produzem conversas que em nada podem contribuir para a consolidação do processo-crime que existe contra si e o presumível segundo autor. Portanto, estamos perante uma actuação policial solene. Prender alguém é sempre um momento marcante na vida de quem é detido. Mas também é uma intervenção firme em nome da autoridade do Estado. Tudo se complica quando está um menor nesta cena de grande tensão.

Escreve-me incomodada por terem os Inspectores falado com o seu miúdo. Não tenho dúvidas que me teria escrito uma outra missiva, se os polícias tivessem cumprido a ordem de captura e abandonassem o seu filho à sua sorte. Mas permita-me, minha senhora, relevar a principal preocupação que o seu caso levanta. Muito mais do que conversas entre polícias e um menor. De repente, o seu filho ficou sem o pai, assassinado às mãos de alguém. Desgraçadamente, é a mãe a principal suspeita e, por isso, está detida. É uma dor de alma, saber um puto órfão devido à maldade criminosa. Esse, sim, é o problema que a deve atormentar no que respeita ao bem estar dessa pequena criatura.

Respeitosamente

Francisco Moita Flores

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